Saiba mais

Mostrando postagens com marcador falando de música. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador falando de música. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 23 de agosto de 2011

O eterno número 2

Consta a escritora Nina Berberova ter ouvido em Nova Iorque o veredicto do próprio Prokofiev: "não há lugar para mim aqui enquanto Rachmaninoff estiver vivo... e ele viverá por mais dez ou quinze anos". Tendo chegado na América em agosto de 1918, o compositor passava maus bocados após as recorrentes e frustradas tentativas de se posicionar no mercado norte-americano.

Richard Taruskin comenta uma passagem ainda mais curiosa, que corrobora a frase melancólica do compositor exilado. Um regente russo (Andrey Boreyko) teria ouvido do filho do compositor que "quando meu pai foi perguntado o motivo pelo qual tranferiu-se para Russia em 1936, ele disse 'eu não gostei de ser o compositor russo nº2 na Europa, com Stravinsky; e nº2 na América com Rachmaninoff. Eu gostava de ser o nº1, e por isso escolhi a Rússia Soviética'".

Ironicamente, Boreyko comenta, ao menos para os músicos sérios, na Rússia ele se torna o nº2, após Shostakovich.

De Sergei Prokofiev, a Osesp apresenta esta semana a Sinfonia em Sib Maior, op.100

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Nova música - the american way

Steve Reich, falando sobre influências. O maestro fez 75 anos no último dia 10 de agosto:

I would say that later on, very important influences came by discovering African music on recording and having no idea how it was put together, but kind of wanting to find out. As a graduate student with Luciano Berio, we went down to the Ojai Festival - the festival that Stravinsky started north of Los Angeles. I guess that was 1962, maybe ’63. The people who were holding forth included Gunther Schuller, who was just finishing up his book on the history of early jazz. And when Schuller was speaking to us -he was a graduate student - he said he’d discovered a book that contained the first accurate scores of West African music and transcription. And I said, “Excuse me, Mr. Schuller. What’s the book?” He said, “’Studies in African Music’ by A.M. Jones.”

And I went back up to Northern California, where I was living at the time, and got the two-volume set: one volume of just scores, another volume of analysis of those scores, and some interesting sociology as well. And it’s still on my bookshelf, I mean, I returned the book to the library and bought a copy, which was very expensive. And - at about the same time that was going on - I was listening to John Coltrane when he was playing “My Favorite Things” and on what became “modal jazz,” but what you could describe, very simply, as “playing a lot of notes to very few harmonies.” An [album] like “Africa/Brass,” [with two sessions], which really impressed me, was basically a half-an-hour in F. Jazz musicians say, “Hey man, what’s the changes?” “F.” “No! F for half-an-hour!”

That was very instructive. And, at the same time, I was studying with Luciano Berio and writing 12-tone music. The way I wrote 12-tone music was like, “Don’t transpose the row. Don’t retrograde the row. Don’t invert the row. Just repeat the row over and over, and you can try to sneak in some harmony.” And Berio said, “If you want to write tonal music, why don’t you write tonal music?” And I said, “That’s what I’m trying to do.” So I would say, “If you put all that into a jug and shake it, out I come.”

It was a very, very difficult period because, basically, the people that I was going to graduate school with were either very interested in European Serial Music or in John Cage--or in both. And, honestly, I was involved in neither. I could respect the purity of spirit in John Cage’s work, and I could certainly appreciate the mastery in Berio and Stockhausen, but my heart wasn’t in the game. I became a composer because I loved Bach, because I loved Stravinsky, because I loved jazz. And this was answering none of those. There was no fixed pulse, there was nothing you could tap your foot to, there was nothing you could whistle to, there was no key to hang on to; it was the very antithesis of that. So people who didn’t write that way at that time were simply a joke; you just weren’t taken seriously.(...)



Entrevista maravilhosa, na íntegra aqui.

por Leandro Oliveira

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

As agruras da boa música

Tentam me vender algo ordinário como histórico. Não, não é o Obama presidente dos EUA - mas o Maazel regendo a OSB.

Alguns amigos que sempre perguntam sobre os "porquês" e "comos" de um regente, devem agora estar se revirando para saber como pôde a OSB ter se apresentado de forma tão profissional neste ciclo Beethoven. Não trata-se de uma orquestra decadente, formação em meio a uma crise sem precedentes?

Se meu parágrafo anterior fosse a apresentação de um problema matemático, aí estariam os termos: um excelente maestro, uma orquestra decadente; variáveis: o que faz um maestro? o que é uma orquestra profissional? Que Lorin Maazel é um dos mais respeitados regentes de nosso tempo, todos sabemos mas, o que faz sua notoriedade tornar a orquestra algo mais do que razoável? Este é o busílis.

Todos nós que já vimos o maestro Maazel em ação sabemos bem suas qualidades. E, preciso dizer, seus defeitos. Lembro certa feita em Firenze, quando assisti uma apresentação sua com Pastoral de Beethoven. Lembro que me impressionou sua técnica - claríssima! - e sua cara completamente blasé na regência da obra. Maazel regendo parecia estar aborrecido, um pouco enfastiado com tudo aquilo. Como ouvimos também com os olhos, era impossível não se contaminar: a sinfonia do mestre de Bonn se mostrava bem chatinha. Poucos dias depois tive a oportunidade de bater um papo com o maestro Zubin Mehta sobre a performance (acompanhava sua montagem do "Wozzeck" de Alban Berg); ele, não coincidentemente, havia tido a mesma impressão sobre outra ocasião, quando ouvira com Maazel uma sinfonia de Brahms e a mesmo nonchalance. Fiquei aliviado.

Falávamos de envolvimento (não confundir envolvimento com "macaqueação", saltos no palco e coisas similares, coisa de amadores) e as imagens explicam melhor que palavras:


São dois Brahms distintos mas, sobretudo, são duas personalidades distintas: uma correta, precisa e distante; outra correta, precisa e emocionada. Façam suas escolhas.

Poderia falar várias coisas a partir do "problema" como posto, mas para apresentação da OSB e seu ciclo Beethoven, duas lições.

1) Maazel é, indubitavelmente um regente de idéias claras e é isso que fica explícito em sua técnica. Ele sabe o texto, sabe o que quer do texto e sabe como expressar aquilo que quer do texto - elementos que só podem melhorar com a idade. Parece simples mas não é e, preciso dizer, no mundo da arte de hoje, e da música no Brasil, é bastante coisa.

Que não seja um mitificador da música ou de si é apenas outro elemento que, acrescido ao talento, cultura (fala quase dez idiomas - me contaram certa feita haver perguntado à orquestra se preferia ensaios em inglês britânico ou americano) e familiaridade com o repertório, o torna um senhor muito respeitado entre músicos - embora evidentemente não a escolha dos corações de alguém. Nunca deixará de ser un po freddino, como se diz em italiano.

2) No contexto do caos da OSB, toda esta frieza de um rapport profissional parece ter sido suficiente senão para fazer a esquadra levantar vôo, ao menos para apresentar com fluência e algum espécie de graça as obras de Beethoven. E posso acreditar que tenha sido para alguns algo inesquecível pois a este tipo de memória depende sempre do nível de expectativa, ela é fruto da emoção que se baseia tanto no que se espera do que o que se nos apresenta.

O papel do crítico é ter uma expectativa muito muito alta para saber distinguir e contextualizar os eventos no grande quadro. É claro, a energia do ciclo era grande. Forte como é a música de Beethoven, inspirados como deveriam estar os músicos por apresentar-se com um maestro da estatura de Maazel, competente como é o maestro, não poderíamos pensar nada medíocre.

Mas a OSB foi regida por Stravinsky, Eleazar de Carvalho, Kurt Masur; o Rio de Janeiro ja ouviu - eu ouvi - Claudio Abbado e Berliner, Barenboim e Chicago. Por favor, não me digam que Maazel fez o melhor concerto que a cidade já ouviu.

por Leandro Oliveira

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Osesp de volta

No programa desta semana, o concerto nº 27 de Mozart, o último do mestre de Salzburgo. Feliz como a vida, como podem ouvir todos no vídeo abaixo:


A solista é a pianista Angela Hewitt - que executa no domingo as monumentais "Variações Goldberg" de Bach. Isso é outro post, outra história.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Pärt e o Papa


por Leandro Oliveira

Os alunos do "Falando de Música" desta semana puderam ter uma experiência extraordinária indubitável que foi a performance do Te Deum do compositor estoniano Arvo Pärt. Pärt acaba de realizar uma partitura para o Papa Bento XVI. Seguem comentários de Tom Service (com um presente especial para os fãs do compositor ao final do post).

Monday was a busy day for Estonian composer Arvo Pärt. He played a new piece for the pope, in the preternatural presence of the pontiff, called Vater Unser, celebrating the 60th anniversary of Benedict's ordination. But thanks to his publisher, Universal Edition, you can share in the glory of the performance from Pärt himself and Heldur Harry Pölda, an Estonian boy soprano, and hear the first two-thirds of their recording of the piece here, where you can also see the first page of the manuscript score. (...)

Para o post na íntegra clique aqui.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Tchaikovsky Competition and beyond

por Leandro Oliveira

É o que se fala no mundo civilizado. Após a aparente derrocada do formato "concurso de música", eis que Valery Gergiev assume a presidência do Tchaikovsky Competition, convida alguns dos artistas mais prestigiosos da atualidade para o corpo de jurados - Nelson Freire esteve lá mas declinou após a primeira semana por estafa - e fez agitar a coisa toda.

Como sempre, muita polêmica. A principal, a saída de Eduard Kunz, muito cedo pelo que parece. E, em casos assim, o esperado: o sujeito não levou o prêmio mas já ganhou o que precisa que é visibilidade e reputação. Sua participação no evento balançou o mundo musical.



Coisas oportunas: acusações de xenofobismo com candidatos dos países satélites, juízes abandonando o certame por motivos de força maior, "ingerência política" nos resultados parciais. Não que as coisas estejam necessariamente relacionadas.

Ao fim e ao cabo, os vencedores:

Piano: Daniil Trifonov (russo);
Violino: sem medalha de ouro, dois segundo colocados: Sergei Dogadin (russo) e Itamar Zorman (israelense);
Cello: Narek Hakhnazaryan (armênio, que foi insultado por um maestro da competição por ser "caipira");
Voz: Sun Young Seo e Jong Min Park (coreanos).

Coreanos?!

Para saber mais, sugiro o excelente Tom Service, que acompanha tudo de lá.

****

Ia falar do encontro com Roberto Minczuk e a turma da Dicta semana passada. Não consegui por motivos inadiáveis - fui descansar. Mas Greg Sandow, que diz coisas que interessam e são pertinentes, diz o que seria ainda mais pertinentes no contexto do encontro. Seguir seu artigo, já na quarta parte, é a melhor maneira de concluir a discussão.

Why aren't orchestras subject (in public, or even very much in private) to detailed comparisons, revealing how well they play?

I think there are four reasons. (...) First: it would be hard to do anything with the information these comparisons would supply. (...) Second: the ideology of classical music says that everything's wonderful. (...) Third: it's in orchestra managements' interest not to have quality talked about. (...) Fourth; it's in the musicians' interest not to have their quality talked about. (...)

If baseball teams had boards, of course the comparisons would be talked about. (...)


Na mosca, não? Na íntegra aqui.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Beethoven e Pinchas Zukerman

por Leandro Oliveira

Publiquei à ocasião de sua vinda ano passado um panegírico sobre Zukerman, o Pinchas. Acho que ainda vale a leitura já que esta semana retorna à frente da Osesp, solando e regendo Beethoven. Aqui como lá, uma enormidade. Cá estamos.

Colher de chá, uma prévia do gajo - com Mehta, o Zubin.


Na Sala São Paulo e na abertura do Festival de Campos do Jordão.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Mahler e a morte


por Leandro Oliveira

Após a releitura de trechos da biografia de Quirino Principe sobre Mahler (quase mil páginas!), é do psicanalista Dr. Stuart Feder o mais recente livro dos meus desejos. Chama-se Gustav Mahler - a Life in Crisis e, para muito além de dissecar o famoso encontro com Freud, revela parte intrincada das referências neuróticas de Mahler - e principalmente, como estas neuroses se traduzem em sua música. Deveria ter um pouco disso no Falando de Música desta semana, quando a Osesp apresenta a Quinta sinfonia do compositor... a ver.

****

It was the crisis of 1901 when the composer believed he faced death that the theme of mourning made its most prominent appearance in his music. It was the very next summer that the composer began his Kindertotenlieder. It was characterized by well-known stylistic changes as seen in the Fifth Symphony of the time. Clearly the Wunderhorn years were over as Mahler wrote the last of the Wunderhorn songs and turned to Rückert texts. In Kindertotenlieder, only a shadow behind the deaths of children one finds the theme of the bereavement and mourning of the parents. Biographically, Mahler has revived his identification with his own parents and the multiple deaths of his siblings. This artistic and personal trend was accompanied by an astonishing change in Mahler’s actual life. Suddenly, the confirmed bachelor was ready for marriage and soon after he met Alma Schindler in the fall, marriage rapidly became a foregone conclusion. I believe the forty-one-year-old bachelor, frightened by the passage of time and his own mortality, sought the common immortality of man: the wish to have a family of his own. Thus the importance to him of marriage and the anticipated birth of his first child. Hence, all the more intense the loss that that destiny had in store.

Stuart Feder in "Mahler, Mourning and Consolation".

****

Debussy tende il proprio linguaggio fin quasi a spezzarlo senza mai spezzarlo, assotigliandolo miracolosamente e rivelando la resistenza. Mahler lo infrange continuamente, ma sui frammenti accampa qualcosa di solido, e la costruzione galleggia. Motivi estetici e una morale ironica dettano forme e movimenti alla musica di Debussy: essa somiglia allo svanire evaporando, ma una sorgente la rigenera sempre. Malgrado questo, o proprio per questo, essa gira continuamente intorno al senso de distruzione e di morte, anche nei suoi luoghi più incantati. Intorno alla distruzione e alla morte gira anche la musica de Mahler, ma in modo diverso: tentando una formula, dirò che il tono generale di Mahler è la tarda maturità che si avvicina ai limiti della decomposizione senza mai toccarli. L'inferiorità di Mahler rispetto a Debussy ha un'origine prima: in Mahler il tema della morte è molto più esplicito. Manca a Mahler la vera ironia: c'è l'autoironia (che può, scivolando malamente, ribaltarsi in autocommiserazione) oppure il sarcasmo. Mahler non riesce ad essere ostile né freddo: lo guasta un nefasto "amore" per gli uomini, da cui Debussy è luminosamente immune.

Quirino Principe in "Mahler - La Musica tra Eros e Thanatos".

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Gorilla musicmaking


por Leandro Oliveira

Todos os que estavam ansiosos por uma oportunidade de puro deleite musical ontem à noite no concerto extra da temporada oficial da Sociedade Cultura Artística, devem ter saído decepcionados. Infelizmente, são raros os eventos deste ano que poderíamos, de antemão classificar como extraordinários; assim foram Keith Jarret, a Orquestra do Festival de Budapeste e Ivan Fischer, assim será a 8 de Mahler com a Osesp. Assim deveria ter sido a apresentação da Orquestra Símon Bolivar e seu regente das multidões, Gustavo Dudamel.

Ok, nada há a ser dito sobre a formação. Afinal são jovens com menos de trinta anos, todos empenhados verdadeiramente em trazer alguns momentos de música para seu público. E disso, sua energia, empenho e visceralidade, qualquer um poderá dizer nada. A bem da verdade, o engajamento da orquestra é algo por si só louvável, ainda mais conhecendo as tantas formações similares que conhecemos - quando os aspirantes a músicos rapidamente conhecem as benesses de se tornarem burocratas da música. Jamais seria uma acusação possível à Símon Bolivar. O problema da orquestra - e aqui falo por inferência, saindo do evento em particular e indo para o plano geral - é que ela não sabe muito bem o que fazer quando a música não está lá para os "Mambos" e "Malambos" da nossa vida.

E preciso dizer, embora lá venha bronca de muitos: tampouco o sabe o maestro Dudamel. Dudamel, digam o que digam, não soube construir com seu energético instrumento os distintos e elaborados timbres que Mahler exige; mas, muito antes disso, também não conseguiu equilibrar os naipes ou tornar orgânicos as tantas mudanças de clima da música. Sua orquestra toca sem nuances sonoras, sua gradação dinâmica vai do mezzo-forte ao fortíssimo mesmo em momentos de inspiração noturna. Sua transcendência é como a que busca alguém ao drogar-se, intoxicação de baixa sofisticação, o êxtase de um usuário de crack.

E aqui entra o verdadeiro crime da noite: a escolha do repertório. Não é que uma orquestra jovem não possa tocar Mahler - ouvi já algumas versões belíssimas pela formação do Festival de Campos do Jordão com Kurt Masur, a West-Eastern Divan Orchestra com Barenboim, ambas apresentando a Primeira Sinfonia do compositor. Ouvi uma orquestra jovem de Boston fazer uma das mais impressionantes leituras da Quinta que ouvi ao vivo.

Mas a Sétima é uma sinfonia de difícil digestão, talvez a menos palatável entre todas. A bem da verdade, com os elementos em cena ontem, duvido muito que tivéssemos uma versão satisfatória mesmo se nos fosse apresentado a Quarta. Mas certamente, os jovens aspirantes a músicos foram expostos cruamente, os pobres solistas vivendo seu pequeno pesadelo nas tantas oportunidade que a peça oferece.

Talvez a idéia seja fazer com que os jovens percam medo da Grande Música (ou de música grande, que no caso da Sétima de Mahler dá no mesmo), mas entre perder o medo das notas e realmente dominá-las, um abismo de distância que dificilmente se justifica em uma turnê internacional - mesmo que seja pela América Latina.

Dudamel é um sujeito muito carismático, ninguém há de negar. Sua regência é clara e comunicativa, como todos sabem; mas temo que aquilo que o faça apresentar a Sétima de Mahler não cumpra nenhum de seus objetivos declarados - trazer alegria às pessoas, fazer com que os jovens saiam de sua situação social ou coisa que o valha. Creio sinceramente que seja apenas vaidade; e todos nós que estivemos a frente de uma orquestra sabemos como podemos nos sentir poderosos comandando as forças necessárias para trazer à luz uma obra dessas. No caso, Dudamel não dominou nada além de si. Mahler não pode estar presente.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Em busca de um outro modelo


por Leandro Oliveira

Jamais deixei de tratar aqui o "caso OSB" como o que definitivamente é: uma comédia de erros, de enredo pífio, sem pé ou cabeça, onde as conclusões últimas são nada mais que desdobramentos conseqüentes de decisões invariavelmente desastrosas que sucedem-se a exaustão. Os protagonistas são diletantes vaidosos e sindicatos, que agem em nome dos incompetentes. A esta altura o assunto se tornou por demais enfadonho para que possamos seguir a riso; e que todos o sigam levando a sério não deixa de tornar tudo ainda mais enfadonho.

Para ser didático, chamo apenas a atenção para uma idiossincrasia. Os jornalistas e amigos que defendem o processo de reestruturação partem de uma perplexidade, a de que tudo não passa da ação de um grande maestro realizando os procedimentos necessários para reconstruir uma que um dia foi uma grande orquestra; ele estaria sendo sabotado.

Então, questão de ordem: quem é que disse que Roberto Minczuk é um grande maestro? Quem disse que a OSB um dia foi uma grande orquestra? Apenas em um país onde a cultura musical é paupérrima coisas assim podem reverberar inadimplentes. Ninguém precisa acreditar em mim e por isso trago, para provar o primeiro, que o segundo é hors de question, a crítica da atuação do maestro junto à Philadelphia Orchestra.

E o faço não por crueldade mas para tomar o verdadeiro assunto do post que é a Philadelphia Orchestra - uma das big five, as cinco mais poderosas instituições orquestrais dos EUA, e que acaba de pedir concordata. Após a greve da Orquestra Sinfônica de Detroit (que durou alguns meses e terminou semana passada), este é o verdadeiro assunto da música clássica internacional. No Brasil, nenhum caderno de cultural deu uma notinha sequer, jornalistas especializados provincianos que temos.

(A título de exemplo, imaginem se o clube do Barcelona pedisse falência, imaginem a possibilidade da notícia passar incólume pelos grandes veículos de esporte!)

Todos especialistas do mundo da música clássica se perguntavam, a boca pequena, já há muito tempo, qual seria a primeira grande orquestra a fechar as portas. Minha aposta pessoal era alguma da Itália, que cancelara parte das suas subvenções estatais no governo Berlusconi. Mas a surpresa veio mesmo após a crise americana.

A Philadelphia Orchestra é uma das mais influentes e tradicionais do Ocidente. "Influente" e "tradicional" de fato, não algo como a a OSB onde a palavra "tradição" é apenas um sucedâneo para "velhice". (Para casos como a OSB, Gustav Mahler nos deixou uma frase ótima: Tradition ist Schlamperei!). Diante da Philadelphia Orchestra estamos frente a um monumento norte-americano, uma orquestra que teve sua fase áurea com Eugene Ormandy, e por onde passou, antes dele, Leopold Stokowsky, e após, Wolfgang Sawalisch ou Christoph Eschenbach.

Seu eventual fechamento é o primeiro que pode, de modo real, acontecer no universo das grandes instituições clássicas. Esta é a notícia musical do mês: pode fechar as portas uma orquestra fundada em 1900 que desbravou parte importante do mercado fonográfico em 1925 e - sobretudo - participou, em 1940, da gravação do extraordinário "Fantasia" de Walt Disney; uma orquestra que não deitou em berço esplêndido e, sempre antenada com os tempos, se tornou, em 2006, a primeira a disponibilizar para download a gravação de suas performances, diretamente de seu website.

Na prática, a concordata a alivia de pagamento a credores, e permite a renegociação imediata do contrato com os músicos - inclusive com os fundos de aposentadoria. De fato, esperamos todos, deverá servir como o primeiro passo para uma eventual reconstrução. O que devemos entender atentamente é como tal reconstrução apresentará saídas para um modelo de negócios que, fundado no trinômio "subvensão pública - venda de assinaturas - verbas de patrocinadores", parece fadado ao fracasso.

Gestores de cultura de todo mundo acordaram em um pesadelo - ele contava que uma orquestra sinfônica é uma entidade muito cara para não prever permanentemente fórmulas generosas e criativas de geração de receita e controle de gastos.

O mundo clássico virou seus olhos para Philadelphia. Parece impossível deixar de acompanhar as bobagens aqui ao lado, mas ao menos alguns de nós para lá é que deveríamos virar.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Observatório Ocidentalismo

por Leandro OLiveira

Mariss Jansons, o maestro mais influente, inspirador e técnico da atualidade - ou seja, o melhor - renova seu contrato com a Orquestra Sinfônica da Rádio de Munique. E seguirá a frente da Royal Concertgebouw Orchestra. É o único regente a cuidar concomitantemente de duas entre as dez melhores da europa.


****

The Fabulous Philadelphians, the "solid gold Cadillac of orchestras," the internationally revered ensemble built by Stokowski and Ormandy, says it is headed for bankruptcy.

Para saber mais, clique aqui.

This should be a wakeup call for the entire classical music business. Because, yes, the Philadelphia Orchestra has had serious problems, but those problems can't the sole cause of the bankruptcy. Orchestras have had management/board/musician problems before, and survived, because the financial and cultural climate wasn't dealing them death blows.

(...) This bankruptcy is big, big news.


Aqui

****

Revista de interesse da PUC-Rio: ERA - Ética e Realidade Atual. Vale inserção nos favoritos.

****

Jeffrey Toobin talks with Tim Wu, a professor at Columbia Law School and the author of "The Master Switch: The Rise and Fall of Information Empires," about how forms of communication, from the telephone to the Internet, are eventually controlled by monopolies, the battle between Apple and Google, and the future of information technology.

Leia mais em http://www.newyorker.com/online/blogs/currents#ixzz1Jpe1rugX

domingo, 17 de abril de 2011

Прелюдии и фуги соч. 87

por Leandro Oliveira

Poucas coisas do pós guerra, em música, me emocionam tanto quanto isto aqui. Shostakovich rules para abençoar o domingo.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Brave new world


por Leandro Oliveira

Não há a menor possibilidade de entendermos como funciona metade do mundo. Mais que outra cultura, outro universo mental. Há quatro dias, o grupo Voina recebeu o maior prêmio dado pelo Ministério da Cultura russo; eles pintaram um pênis gigante sobre uma ponte levadiça no noroeste de São Petersburgo - em frente ao prédio da antiga KGB. O efeito é o da foto acima.

O incauto gritará "viva a liberdade!", "os russo são democratas!", "liberdade de expressão é o valor último de todas as culturas!" o que apenas tornará tudo mais constrangedor. Pois o fato é que alguns dos integrantes do grupo seguem foragidos, outros presos sem possibilidade prévia de defesa. A premiação para eles é uma espécie de cala-boca - talvez, último gesto velado de negociação, antes de "sanções" mais drásticas. O grupo se nega a participar do prêmio, segundo eles é um brinquedote da nova máfia que toma lugar das antigas autoridades estatais.

Mas isso não é importante. É que Bob Dylan fez sua primeira apresentação no Vietnam, no domingo que passou. O teatro da cidade de Ho Chi Minh (antiga Saigon) conseguiu vender apenas metade dos lugares; assim como na China, onde tocara em Beijing e Shanghai na semana passada, o bardo precisou passar o setlist do show pela aprovação do governo local. Eu não estava lá, mas segunda consta, o show não teve "Blowin' in the Wind" ou "The Times They Are a-Changin'".

E pensar que ambas obras foram fundamentais na construção simbólica de uma cultura de paz que hoje se confunde com a cultura meio eunuca que é a norte-americana - que fez os EUA saírem da guerra para que este mesmo Vietnam hoje censurasse Dylan. É isso que quero dizer: a arte de protesto tem seu lugar. Adoro Shostakovich. Alguns amigos parecem não entender que, por vezes, o engajamento é sim uma maneira legítima de expressão artística. Pode-se acusar o mau-gosto da empreitada, mas seria uma performance muito apropriada e engenhosa, a da projeção de um pênis se erguendo no lugar do sol nos países de governos totalitários ou pseudo-democratas.


“There must be some way out of here,” said the joker to the thief
“There’s too much confusion, I can’t get no relief...
Businessmen, they drink my wine, plowmen dig my earth
None of them along the line, nobody out of it worth”

“No reason to get excited,” the thief, he kindly spoke
“There are many here among us who feel that life is but a joke
But you and I, we’ve been through that, and this is not our fate
So let us not talk falsely now, the hour is getting late”

All along the watchtower, princes kept the view
While all the women came and went, barefoot servants, too.

Outside, in the distance, a wildcat did growl
Two riders were approaching, the wind began to howl.

A modernidade dos antigos

por Leandro Oliveira

Esta semana, com um programa dedicado à música Romântica Russa - imaginando que a Balatta op. 108 de Glazunov possa ser entendida como romantismo em todo seu adiantado no tempo (é de 1931) - a Osesp me deu a oportunidade de retornar à obra deste que é talvez o mais importante musicólogo da tradição Clássica Russa da atualidade, o americano Richard Taruskin.

Dele, uma passagem extraordinária - uma tese efervescente, para quem se excita com teses musicológicas, é claro:

I hold that discussions of authentistic performance typically proceed from false premises. The split that is usually drawn between "modern performance" on the one hand and "historical performance" on the other is quite topsy-turvy. It is the latter that is truly modern performance — or rather, if you like, the avant-garde wing or cutting edge of modern performance — while the style, inherited from the nineteenth century, one that is fast becoming historical. The difference between the two, as far as I can see, is best couched in terms borrowed from T. E. Hulme: nineteenth-century ‘vital’ versus twentieth-century ‘geometrical.’ In light of this definition, modern performance, in the sense I use the term, can be seen as modernist performance, and its conceptual and aesthetic congruence with other manifestations of musical modernism stand revealed. What Carl Dahlhaus calls the ‘postulate of originality’ and defines as ‘the dominant esthetic of [Wagner’s] day’ is still with us even if Wagner is not, and still decrees that music, both as to the style of its composition and the style of its performance ‘should be novel in order to rank as authentic.’ When this is understood, it will appear no longer paradoxical but, on the contrary, very much in the nature of things that the same critics who can be counted upon predictably to tout the latterday representatives of High Modernism in music — Carter, Xenakis, Boulez — and who stand ready zealously to define them against the vulgarian incursions of various so-called postmodernist trends, are the very ones most intransigently committed, as we have already observed, to the use of ‘original instruments’ and all the rest of the ‘historical’ paraphernalia. For we have become prevaricators and no longer call novelty by its right name.

In "Text and Act: Essays on Music and Performance", p. 140.

terça-feira, 12 de abril de 2011

The voice of God

por Leandro Oliveira



On the page it looked nothing! The beginning simple, almost comic. Just a pulse: bassoons, basset horns - like a rusty squeezebox. And then, suddenly, high above it, an oboe. A single note, hanging there, unwavering... until a clarinet took it over: sweetened it into a phrase of such delight! This was no composition by a performing monkey - this was a music I had never heard. Filled with such longing, such unfulfillable longing, it seemed to me that I was hearing the voice of God.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Observatório Ocidentalismo

por Leandro Oliveira

A Síndrome de Asperger é batizada a partir do médico que a diagnosticou, o austríaco Dr. Hans Asperger. É uma espécie peculiar de autismo, e seus portadores têm dificuldade de interação social. Ele é o tema do primeiro episódio da série "Between Ourselves" da Rádio BBC (ah, como eu queria ser diretor da Rádio Cultura para finalmente trazer coisas interessantes ao dial...); neste episódio, um papo interessantíssimo com dois portadores da síndrome. Apresentação de Olívia O'Leary.

****

(...) I am constantly amazed at the low culture IQ of very bright and talented young people who have achieved a great deal in other realms. When I was once called a "media Caruso" in the press, a 23-year-old with whom I worked asked what a Caruso was!

Another business associate asked me if Giuseppe Verdi was dead. He was a Harvard-educated professional who was an adept piano player.

It is easy to point to culprits: the lack of arts education in our public schools, the astonishing array of personal popular entertainment options that occupy the time of younger people, and the ticket prices for concerts, plays and operas that are so high they keep many young (and old) people from attending.

But whatever the cause (and we need to analyze these causes so we can find cures for the future), we have remedial work to do with the current group of high school graduates who simply do not consider attending our performances or visiting our art galleries as an option that is relevant to their lives. (...)


Michael Kaiser, manda-chuva do Kennedy Center, em mais um artigo formidável que sugiro ler ao lado deste, de Tom Jacobs, sobre o declínio da atividade do público omnívoro e highbrow.

****

Tom Service faz um belíssimo "Amnésia Cultural" pelos quarenta anos de morte de Igor Stravinsky (último dia 6).

Igor Stravinsky died 40 years ago today. I find this astonishing – partly because Stravinsky seems to belong to another era: a century ago, he was conceiving and composing The Rite of Spring, and yet we are only separated by him by just over a generation, and yet his influence and his legacy still seems so contemporary.

Stravinsky is the only common influence that composers from Steve Reich to Thomas Adès, from Judith Weir to John Adams, from Elliott Carter to Louis Andriessen, can all agree on. Without Stravinsky, there would be no minimalism, not much neo-classicism, not enough rhythmic energy, and not nearly enough compositional freedom in the 20th and 21st centuries. Four decades on, the Stravinsky that's proved most popular with audiences, orchestras and concert halls is the colouristic brilliance of the three early ballets, Firebird, Petrushka, and the Rite.


Links imperdíveis. Na íntegra aqui

****

Gabriel Ferreira postou no Facebook - e replico em homenagem ao amigo que vai aportar em POA: "os Dez Mandamentos do Chimarrão".

****

Desdobramentos da crise da OSB? A orquestra saiu do palco quando o maestro Minczuk entrou para o concerto de abertura da Temporada. A narrativa do caso - cujo registro se espalhou como fenômeno no youtube - pode ser vista aqui.

****

O blog do Márcio Leopoldo vai nos atualizar com as informações sobre o Fórum da Liberdade. Acompanhem e cobrem o moço.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Music and Emotion

As soon as the unexpected, or for that matter the suprising, is experienced, the listener attempts to fit it into the general system of beliefs relevant to the style of the work (...) three things may happen: (1) The mind may suspend judgment, so to speak, trusting that what follows will clarify the meaning of the unexpected consequent. (2) If no clarification takes place, the mind may reject the whole stimulus and irritation will set in. (3) The expected consequent may be seen as a purposeful blunder.

Whether the listener responds in the first or third manner will depend partly on the character of the piece, its mood or designative content. The third response might well be made to music whose character was comical or satirical. Beckmesser's music in Wagner's "Die Meistersinger" would probably elicit this type of interpretive understanding.


Leonard Meyer, "Emotion and Meaning in Music", p. 30 (1956).

terça-feira, 5 de abril de 2011

Ré sustenido, tom maior, sétima dominante... e eu com isso?

por Leandro Oliveira

Nos encontros do "Falando de Música" raramente é possível evitar temas difíceis. De série de Fibonacci a Karl Marx, de Metastasio a Entartete Musik nada de fato é selecionado pela sua acessibilidade, mas sempre pela relevância da informação para explicação do contexto de uma época ou obra.

A arte está na máxima: "não tornar fácil o que é difícil, mas tampouco tornar o difícil mais difícil do que já é". E por isso, é evitado ao mais das vezes a terminologia técnica, que definitivamente se faz de atalho aos iniciados, mas cria uma barreira indigesta aos amantes que nunca passaram das primeiras lições - ou sequer chegaram a elas. Algumas vezes, é verdade, os alunos pedem alguma coisa sobre esta própria terminologia - ou de contextos menos específicos da vida e obra de cada autor, como outro dia quando me perguntaram da influência do pensamento de Feuerbach em Richard Wagner e deste no II Reich (segundo mesmo, não terceiro).

Claro, o momento mais adequado nestes casos é o papo pós-aula, quando a sugestão de alguma bibliografia de apoio e um eventual encontro extra ajudam a destrinchar os meandros das tantas informações disponíveis e alcançar, enfim, a legitima apresentação do problema. Por isso, antes de seguir, achei legal colocar abaixo um vídeo de Andras Schiff, um pianista húngaro extraordinário, num trecho de uma de suas aulas onde fala (não em húngaro mas inglês, não se preocupem) sobre a trigésima segunda sonata de Beethoven, a monumental op.111. Legal conferir, volto depois.


O caso é que outro dia li no blog do Norman Lebrecht uma notícia interessante. Parece que em uma última oportunidade em Londres, Andras Schiff viu boa parte do público abandonar o teatro em uma de suas palestras. Lebrecht aponta que o excesso de terminologia técnica foi fatal para um público feito de pessoas curiosas, que em sua maioria era composta por profissionais liberais sem experiência musical formal anterior. O público não tem culpa: na correria do mundo de hoje, as informações precisam ser pertinentes, elucidativas - e se possível, também agradáveis. E ninguém pode achar agradável passar algumas horas com a impressão que não está entendendo nada... Fica a lição.

Esta quarta-feira começo os encontros sobre música clássica no Clube Paulistano, aqui em São Paulo. O tema da primeira conferência: "O Que é Música Clássica?".

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Observatório Ocidentalismo


por Leandro Oliveira

Detalhes novos da - já velha? - querela que surge na Orquestra Sinfônica Brasileira. Com a demissão de metade da orquestra, e a justificativa de que não participaram das audições de avaliação, a direção da orquestra decidiu pelo litígio incontornável. Escolha desagradável, controversa e aparentemente pouco inteligente. Nisso todos concordam: maestro Neschling faz uma aposta para que ao menos os "meios justifiquem os fins", Antonio Meneses assevera uma esperança no retorno das drásticas decisões tomadas, Cristina Ortiz e Roberto Tibiriçá cancelam a participação nos concertos da presente temporada.

Após a declaração da federação de músicos americanos de que a presença de Roberto Minczuk - o mentor de toda esta confusão - não seria bem-vindo aos palcos dos EUA enquanto mantivesse sua posição, só me resta imaginar que Minczuk deve saber o que está fazendo, vendo aquilo que mais nenhum de nós consegue ver.

Isolado como está, em tendo razão, para além de maestro deverá ser antes um profeta. Pelo jeito é o que aposta o Conselho da instituição.

Notícia de última hora (14h40): Nelson Freire é mais um que acaba de cancelar sua participação na Temporada 2011...

****

Cinema? Duas dicas: o Mubi.com, uma espécie de distribuidora online; não assinei mas ouvi falar muito bem. E para quem está em Paris, a exposição Stanley Kubrick na Cinémathèque Française com documentos sobre o trabalho preparatório, a apresentação integral dos filmes, mesas redondas e conferências sobre o autor.

****

Palavras de realismo sobre o futuro da literatura no novo livro de Marjorie Garber. Nos conta Jessa Crispin:

When literature makes the headlines these days, it seems to be only bad news: books being declared "obscene" and removed from school library shelves, one expert after another telling us the rise of comic books and novels written in the language of the text message is destroying the English language, studies proving that no one reads anymore anyway... You'd think our literary culture is at a crisis point, and from here our nation will descend into illiteracy and intellectual decrepitude.

Marjorie Garber claims in "The Use and Abuse of Literature" that none of these conversations have anything to do with today's society; since the invention of written language we've been fighting over who was using it correctly and who was ruining it for the rest of us.


Na íntegra aqui.

****

Amigos do Facebook: Eduardo Pohlmann sugeriu o link abaixo

Ronald Dworkin is wondering about what his friend Alfred Brendel does when he plays the piano. "Why does he play that way? When he plays a great sonata, for example, he must think his interpretation is better than other interpretations or he wouldn't play it that way, mustn't he?"

Dworkin é um dos mais importantes pensadores de filosofia moral na atualidade. Para ler a íntegra do artigo de Stuart Jeffries, sobre o recente livro do pensador, clique aqui.

****

Reverberando a provocação de Ieda ontem, sugiro o artigo de Erik Silk para o Wall Street Journal e seu link para o site The Art of Videogames.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...