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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Alessandra Colassanti & Marin Alsop em São Paulo

por Leandro Oliveira

Não costumamos fazer agenda de espetáculos no Ocidentalismo.org, mas não posso deixar de recomendar "Anticlássico - uma Desconferência e o Enigma Vazio" da Alessandra Colassanti.

Uma bailarina de vermelho, recém-saída de um quadro de Dégas, profere uma "desconferência" sobre o "enigma vazio". Diz-se amiga íntima da Monalisa e profere referências e frases de efeito: Walter Benjamim, Foucault e Derrida. Diz ter sido namorada de celebridades modernistas, ídolos pop e ícones contemporâneos.


Uma sátira ao desconstrucionismo. A Alessandra é o máximo.

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Toda mídia especializada preocupada com "a impressão de uma identidade própria" pela Marin Alsop na Osesp. Cheguei a ler algo como "o maior desafio da nova maestrina titular da Osesp é moldar a orquestra à sua imagem e semelhança, dar-lhe uma identidade musical". Sinceramente, falta do que dizer: todo profissional da área sabe que, hoje, o maior desafio artístico de uma orquestra é conseguir ser de tal forma maleável a poder executar repertórios distintos sem "sotaque"; Mozart diferente de Beethoven e este diferente de Wagner. E, ainda, saber responder a visão de mundo de cada intérprete convidado a subir ao pódio.

Poucos dizem, mas entre as atribuições do Regente Titular da Osesp está a participação na seleção de novos músicos. Como a seleção de ministros do STF, é aí que reside a parte mais sensível para a formação desta maleabilidade rigorosa, com perdão do aparente oxímoro.

Como fazer? É necessário adequar o repertório às necessidades da formação e do público; aumentar, a cada encontro, o vocabulário técnico da orquestra. Esse foi o esforço de Abbado e agora Rattle na Berliner Philarmoniker, ou Gilbert com sua Filarmônica de Nova Iorque. Ou de Valery Gergiev em seus celebrados encontros com a Filarmônica de Viena.

O mais é esperar o tipo de relacionamento antiquado onde uma espécie de "Grande Pai" forma com a orquestra sua família. "À sua imagem e semelhança"? Deus nos livre. Não há o "som Rattle" ou o "som Gilbert" simplesmente porque não se espera isso deles. Temos orquestras que funcionam como organismos vivo, responsivos e responsáveis, a executar distintas obras do repertório em seus diversos estilos e com total familiaridade.

Do ponto de vista da "formação da orquestra", é isso que devemos esperar de Alsop na Osesp, não uma instituição "à sua imagem", seja lá o que isso queira dizer. E para isso, é inquestionável, ela é mais do que adequada, como mostrou em seu Mahler do ano passado.

(Mahler é um compositor cheio de dificuldades na construção de planos sonoros idiossincráticos. Exatamente ali, Alsop foi uma craque.)

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