Ocidentalismo
por Leandro Oliveira
domingo, 25 de setembro de 2011
terça-feira, 23 de agosto de 2011
O eterno número 2
Consta a escritora Nina Berberova ter ouvido em Nova Iorque o veredicto do próprio Prokofiev: "não há lugar para mim aqui enquanto Rachmaninoff estiver vivo... e ele viverá por mais dez ou quinze anos". Tendo chegado na América em agosto de 1918, o compositor passava maus bocados após as recorrentes e frustradas tentativas de se posicionar no mercado norte-americano.
Richard Taruskin comenta uma passagem ainda mais curiosa, que corrobora a frase melancólica do compositor exilado. Um regente russo (Andrey Boreyko) teria ouvido do filho do compositor que "quando meu pai foi perguntado o motivo pelo qual tranferiu-se para Russia em 1936, ele disse 'eu não gostei de ser o compositor russo nº2 na Europa, com Stravinsky; e nº2 na América com Rachmaninoff. Eu gostava de ser o nº1, e por isso escolhi a Rússia Soviética'".
Ironicamente, Boreyko comenta, ao menos para os músicos sérios, na Rússia ele se torna o nº2, após Shostakovich.
De Sergei Prokofiev, a Osesp apresenta esta semana a Sinfonia em Sib Maior, op.100
Richard Taruskin comenta uma passagem ainda mais curiosa, que corrobora a frase melancólica do compositor exilado. Um regente russo (Andrey Boreyko) teria ouvido do filho do compositor que "quando meu pai foi perguntado o motivo pelo qual tranferiu-se para Russia em 1936, ele disse 'eu não gostei de ser o compositor russo nº2 na Europa, com Stravinsky; e nº2 na América com Rachmaninoff. Eu gostava de ser o nº1, e por isso escolhi a Rússia Soviética'".
Ironicamente, Boreyko comenta, ao menos para os músicos sérios, na Rússia ele se torna o nº2, após Shostakovich.
De Sergei Prokofiev, a Osesp apresenta esta semana a Sinfonia em Sib Maior, op.100
Melancolia, de Lars von Trier
Bruno Cava, do Amálgama (revista ótima, por sinal), escreve sobre "Melancolia". Sou um preconceituoso cultivado contra o diretor, mas pela resenha deu vontade de assistir:
(...) Não seria o château onde se passa "Melancolia", outra ilha imaginária do Oceano, outro simulacro onde se perde e se entreva o psicólogo Kelvin? Como na última cena de Solaris, neste filme o tempo e o seu final, toda a escatologia, estão dentro de nós mesmos. Menos que grandiloquência em tintas cósmicas, em "Melancolia" tem-se uma cosmovisão artística ultrarromântica, pra quem o mundo não passa de um pesadelo inescapável e iniludível, onde apodrecemos. (...)
Na íntegra aqui.
(...) Não seria o château onde se passa "Melancolia", outra ilha imaginária do Oceano, outro simulacro onde se perde e se entreva o psicólogo Kelvin? Como na última cena de Solaris, neste filme o tempo e o seu final, toda a escatologia, estão dentro de nós mesmos. Menos que grandiloquência em tintas cósmicas, em "Melancolia" tem-se uma cosmovisão artística ultrarromântica, pra quem o mundo não passa de um pesadelo inescapável e iniludível, onde apodrecemos. (...)
Na íntegra aqui.
Amnésia Cultural - José Guilherme Merquior
Martim na Dicta.com, realizando um belíssimo memorial:
(...) Com efeito, José Guilherme Merquior foi um dos principais pensadores do País no breve período em que viveu, entre 1941 e 1991. Doutor em Letras pela Universidade de Paris e PhD em Sociologia pela prestigiosa London School of Economics, Bacharel em Direito e licenciado em Filosofia, Merquior ingressou na Academia Brasileira de Letras em 1982. Não chegou aos 50 anos, morto precocemente em decorrência de um câncer, mas deixou obra vasta, escrita em português, francês e inglês, sobre os mais variados temas: da política à filosofia, passando, evidentemente, pela literatura e pela estética. Merquior foi diplomata de carreira e durante muitos anos colaborou com a imprensa, mesmo antes de o termo “jornalismo cultural” ter a pompa e circunstância que hoje dá minutos de fama aos quase famosos resenhistas de música pop. (...)
Se na interpretação das idéias políticas e no comentário das correntes culturais, a pena era arguta e certeira, nos chamados estudos literários Merquior parecia estar mais do que à vontade. Na coletânea “Crítica”, obra que traz uma seleta de seus ensaios entre 1964 e 1989, lemos um Merquior talvez ainda mais arrojado em se tratando das interpretações de escritores e de correntes estéticas. Chama a atenção, em particular, a leitura que o autor faz das “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis. Ainda que alguns dos mais formidáveis conceitos sobre a obra machadiana já tenham sido repassados à exaustão, é bastante curioso observar quando uma interpretação erudita aparece. Assim, na contramão do consenso, Merquior comenta que, perto do travo acre e angustiante da galhofa de Machado, o texto de Laurence Sterne mais parece um licor amável. E mais à frente o autor arremata: “a natureza inquietadora do humor machadiano deriva justamente de sua propensão inquisitiva e filosófica, de sua qualidade de visão problematizadora”.(...)
Na íntegra aqui.
por Leandro Oliveira
(...) Com efeito, José Guilherme Merquior foi um dos principais pensadores do País no breve período em que viveu, entre 1941 e 1991. Doutor em Letras pela Universidade de Paris e PhD em Sociologia pela prestigiosa London School of Economics, Bacharel em Direito e licenciado em Filosofia, Merquior ingressou na Academia Brasileira de Letras em 1982. Não chegou aos 50 anos, morto precocemente em decorrência de um câncer, mas deixou obra vasta, escrita em português, francês e inglês, sobre os mais variados temas: da política à filosofia, passando, evidentemente, pela literatura e pela estética. Merquior foi diplomata de carreira e durante muitos anos colaborou com a imprensa, mesmo antes de o termo “jornalismo cultural” ter a pompa e circunstância que hoje dá minutos de fama aos quase famosos resenhistas de música pop. (...)
Se na interpretação das idéias políticas e no comentário das correntes culturais, a pena era arguta e certeira, nos chamados estudos literários Merquior parecia estar mais do que à vontade. Na coletânea “Crítica”, obra que traz uma seleta de seus ensaios entre 1964 e 1989, lemos um Merquior talvez ainda mais arrojado em se tratando das interpretações de escritores e de correntes estéticas. Chama a atenção, em particular, a leitura que o autor faz das “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis. Ainda que alguns dos mais formidáveis conceitos sobre a obra machadiana já tenham sido repassados à exaustão, é bastante curioso observar quando uma interpretação erudita aparece. Assim, na contramão do consenso, Merquior comenta que, perto do travo acre e angustiante da galhofa de Machado, o texto de Laurence Sterne mais parece um licor amável. E mais à frente o autor arremata: “a natureza inquietadora do humor machadiano deriva justamente de sua propensão inquisitiva e filosófica, de sua qualidade de visão problematizadora”.(...)
Na íntegra aqui.
por Leandro Oliveira
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Música para tempos de frio
Quatorze graus em São Paulo. Quantas mãos geladas pela cidade? Então lá vai, para distrair e esquentar o coração...
Che gelida manina,
se la lasci riscaldar.
Cercar che giova?
Al buio non si trova.
Ma per fortuna
é una notte di luna,
e qui la luna
l'abbiamo vicina.
Aspetti, signorina,
le dirò con due parole
chi son, e che faccio,
come vivo. Vuole?
Chi son? Sono un poeta.
Che cosa faccio? Scrivo.
E come vivo? Vivo.
In povertà mia lieta
scialo da gran signore
rime ed inni d'amore.
Per sogni e per chimere
e per castelli in aria,
l'anima ho milionaria.
Talor dal mio forziere
ruban tutti i gioelli
due ladri, gli occhi belli.
V'entrar con voi pur ora,
ed i miei sogni usati
e i bei sogni miei,
tosto si dileguar!
Ma il furto non m'accora,
poiché, poiché v'ha preso stanza
la speranza!
Or che mi conoscete,
parlate voi, deh! Parlate. Chi siete?
Vi piaccia dir!
****
Adoro a passagem: "(...) quem sou? Sou um poeta. O que eu faço? Escrevo. E como vivo? Vivendo... Na minha pobreza tenho prazeres de aristocrata, cheio de rimas e canções de amor. Para os sonhos, as quimeras e os castelos no ar, eu tenho a alma de milionário. (...)"
Na há jeito, Puccini é meu favorito. Todos temos um lado meio cafona né?
por Leandro OLiveira
Che gelida manina,
se la lasci riscaldar.
Cercar che giova?
Al buio non si trova.
Ma per fortuna
é una notte di luna,
e qui la luna
l'abbiamo vicina.
Aspetti, signorina,
le dirò con due parole
chi son, e che faccio,
come vivo. Vuole?
Chi son? Sono un poeta.
Che cosa faccio? Scrivo.
E come vivo? Vivo.
In povertà mia lieta
scialo da gran signore
rime ed inni d'amore.
Per sogni e per chimere
e per castelli in aria,
l'anima ho milionaria.
Talor dal mio forziere
ruban tutti i gioelli
due ladri, gli occhi belli.
V'entrar con voi pur ora,
ed i miei sogni usati
e i bei sogni miei,
tosto si dileguar!
Ma il furto non m'accora,
poiché, poiché v'ha preso stanza
la speranza!
Or che mi conoscete,
parlate voi, deh! Parlate. Chi siete?
Vi piaccia dir!
****
Adoro a passagem: "(...) quem sou? Sou um poeta. O que eu faço? Escrevo. E como vivo? Vivendo... Na minha pobreza tenho prazeres de aristocrata, cheio de rimas e canções de amor. Para os sonhos, as quimeras e os castelos no ar, eu tenho a alma de milionário. (...)"
Na há jeito, Puccini é meu favorito. Todos temos um lado meio cafona né?
por Leandro OLiveira
Abandonando o nazismo
Do Bruno Garschagen:
Se você é um interessado (na) ou estudioso da Alemanha Nazi e de Adolf Hitler certamente já leu pelo um dos livros de autoria do historiador inglês Ian Kershaw. Sua apropriadamente celebrada biografia de Hitler, lançada há uma década em dois volumes, é um monumento histórico pela qualidade das informações e pelo rigor e ambição do empreendimento (aqui, a partir de 30 minutos, você pode ver uma boa entrevista sobre a biografia).
É com pesar, mas ao mesmo tempo com admiração pela coragem, que leio a notícia de que seu livro mais recente The End: Hitler's Germany, 1944-45, que eu ainda não li, será o último sobre o assunto. Depois de 40 anos dedicados à investigação do Nazismo, Kershaw despede-se para se dedicar imediatamente à pesquisa e elaboração de um livro sobre a história da Europa para a editora Penguin. (...)
Na íntegra, com links para compra e outras críticas aqui.
Se você é um interessado (na) ou estudioso da Alemanha Nazi e de Adolf Hitler certamente já leu pelo um dos livros de autoria do historiador inglês Ian Kershaw. Sua apropriadamente celebrada biografia de Hitler, lançada há uma década em dois volumes, é um monumento histórico pela qualidade das informações e pelo rigor e ambição do empreendimento (aqui, a partir de 30 minutos, você pode ver uma boa entrevista sobre a biografia).
É com pesar, mas ao mesmo tempo com admiração pela coragem, que leio a notícia de que seu livro mais recente The End: Hitler's Germany, 1944-45, que eu ainda não li, será o último sobre o assunto. Depois de 40 anos dedicados à investigação do Nazismo, Kershaw despede-se para se dedicar imediatamente à pesquisa e elaboração de um livro sobre a história da Europa para a editora Penguin. (...)
Na íntegra, com links para compra e outras críticas aqui.
Observatório Ocidentalismo - "Os sem Ipad"
Do Pondé hoje na Folha:
Você sabia que agora existe em Londres o movimento dos sem-iPad? Coitadinhos deles. Quebram tudo porque a malvada sociedade do consumo os obriga a desejar iPads... No passado todo mundo era "obrigado" a desejar cavalos, tecidos de seda, especiarias, facas, tambores, ouro, mulheres...
Como ficam as pessoas que desejam, não têm, mas nem por isso saqueiam lojas, mas sim trabalham duro? Seriam estes uns idiotas por saberem que nem tudo que queremos podemos ter e que a vida sempre foi dura?
Esta questão é moral. Dizer que não é moral é não saber o que é moral, ou apenas oportunismo... moral. Resistir ao desejo é um problema de caráter. Um dos pecados do pensamento público hoje é não reconhecer o conceito de caráter. (...)
Moral é exatamente você resistir a impulsos que outras pessoas, sem caráter, não resistem. Já leu Aristóteles? Kant? A "culpa" do que hoje acontece em Londres não é do consumo. Homens sempre quebram coisas de vez em quando e querem coisas sem esforço. As causas podem variar. Hoje em dia, seguramente, uma delas é que muita gente está acostumada a um Estado de bem estar social que os trata como bebês. A preguiça, sim, é um traço universal do ser humano".
****
Para o artigo na íntegra, clique aqui.
Você sabia que agora existe em Londres o movimento dos sem-iPad? Coitadinhos deles. Quebram tudo porque a malvada sociedade do consumo os obriga a desejar iPads... No passado todo mundo era "obrigado" a desejar cavalos, tecidos de seda, especiarias, facas, tambores, ouro, mulheres...
Como ficam as pessoas que desejam, não têm, mas nem por isso saqueiam lojas, mas sim trabalham duro? Seriam estes uns idiotas por saberem que nem tudo que queremos podemos ter e que a vida sempre foi dura?
Esta questão é moral. Dizer que não é moral é não saber o que é moral, ou apenas oportunismo... moral. Resistir ao desejo é um problema de caráter. Um dos pecados do pensamento público hoje é não reconhecer o conceito de caráter. (...)
Moral é exatamente você resistir a impulsos que outras pessoas, sem caráter, não resistem. Já leu Aristóteles? Kant? A "culpa" do que hoje acontece em Londres não é do consumo. Homens sempre quebram coisas de vez em quando e querem coisas sem esforço. As causas podem variar. Hoje em dia, seguramente, uma delas é que muita gente está acostumada a um Estado de bem estar social que os trata como bebês. A preguiça, sim, é um traço universal do ser humano".
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Para o artigo na íntegra, clique aqui.
domingo, 21 de agosto de 2011
A boat afraid of the sea
"To put meaning in one's life may end in madness, but life without meaning is the torture - of restlessness and vague desire. It is a boat longing for the sea and yet afraid."
Edgar Lee Master, "Spoon River Anthology" (New York: Simon & Schuster, 1997).
Edgar Lee Master, "Spoon River Anthology" (New York: Simon & Schuster, 1997).
sábado, 20 de agosto de 2011
Citações e outros (ar)roubos
"Now old desire doth in his death-bed lie,
And young affection gapes to be his heir;
That fair for which love groan'd for and would die,
With tender Juliet match'd, is now not fair.
Now Romeo is beloved and loves again,
Alike betwitched by the charm of looks,
But to his foe supposed he must complain,
And she steal love's sweet bait from fearful hooks:
Being held a foe, he may not have access
To breathe such vows as lovers use to swear;
And she as much in love, her means much less
To meet her new-beloved any where:
But passion lends them power, time means, to meet
Tempering extremities with extreme sweet."
William Shakespeare, "Romeo and Juliet" (Prologue Act II).
***
Dublin July. 7. 88
A Problem Proposed to the Author of the "Essai Philosophique concernant L'Entendement".
A Man, being born blind, and having a globe and a cube, nigh of the same bignes, committed into his hands, and being taught or told, which is called the globe, and which the cube, so as easily to distinguish them by his touch or feeling; then both being taken from him, and laid on a table, let us suppose his sight restored to him; whether he could, by his sight, and before he touch them, know which is the globe and which the cube? Or whether he could know by his sight, before he stretch'd out his hand, whether he could not reach them, tho they were removed 20 or 1000 feet from him?
If the learned and ingenious author of the forementiond treatise think this problem worth his consideration and answer, he may at any time direct it to one that much esteems him, and is,
His Humble Servant,
William Molyneux
High Ormonds Gate in Dublin. Ireland
****
"While civilization has been improving our houses, it has not equally improved the men who are to inhabit them. It has created palaces, but it was not so easy to create noblemen and kings. And if the civilized man's pursuits are no worthier than the savage's, if he is employed the greater part of his life in obtaining gross necessaries and comforts merely, why should he have a better dwelling than the former?"
Henry D. Thoreau, "Walden" (Lembrado pela Fernandinha Ribeiro no seu blog "Apfelsaft")
And young affection gapes to be his heir;
That fair for which love groan'd for and would die,
With tender Juliet match'd, is now not fair.
Now Romeo is beloved and loves again,
Alike betwitched by the charm of looks,
But to his foe supposed he must complain,
And she steal love's sweet bait from fearful hooks:
Being held a foe, he may not have access
To breathe such vows as lovers use to swear;
And she as much in love, her means much less
To meet her new-beloved any where:
But passion lends them power, time means, to meet
Tempering extremities with extreme sweet."
William Shakespeare, "Romeo and Juliet" (Prologue Act II).
***
Dublin July. 7. 88
A Problem Proposed to the Author of the "Essai Philosophique concernant L'Entendement".
A Man, being born blind, and having a globe and a cube, nigh of the same bignes, committed into his hands, and being taught or told, which is called the globe, and which the cube, so as easily to distinguish them by his touch or feeling; then both being taken from him, and laid on a table, let us suppose his sight restored to him; whether he could, by his sight, and before he touch them, know which is the globe and which the cube? Or whether he could know by his sight, before he stretch'd out his hand, whether he could not reach them, tho they were removed 20 or 1000 feet from him?
If the learned and ingenious author of the forementiond treatise think this problem worth his consideration and answer, he may at any time direct it to one that much esteems him, and is,
His Humble Servant,
William Molyneux
High Ormonds Gate in Dublin. Ireland
****
"While civilization has been improving our houses, it has not equally improved the men who are to inhabit them. It has created palaces, but it was not so easy to create noblemen and kings. And if the civilized man's pursuits are no worthier than the savage's, if he is employed the greater part of his life in obtaining gross necessaries and comforts merely, why should he have a better dwelling than the former?"
Henry D. Thoreau, "Walden" (Lembrado pela Fernandinha Ribeiro no seu blog "Apfelsaft")
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Osesp ao vivo online
Deu na Revista Concerto, comento ao final:
No sábado dia 27 de agosto, às 16h30, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo fará pela primeira vez uma transmissão ao vivo pela internet de um concerto de sua temporada. Pelo endereço http://concertodigital.osesp.art.br/ será possível acompanhar a apresentação na Sala São Paulo com a futura regente titular da Osesp, Marin Alsop, que dirige a orquestra nos dias 25, 26 e 27.
A transmissão será dirigida pelo maestro e professor Leandro Oliveira, que foi assistente de John Neschling é hoje responsável pelas palestras Falando de Música, que antecedem os concertos da orquestra. Oliveira terá à sua disposição quatro câmeras de alta resolução dispostas estrategicamente na Sala.
No repertório, o Concerto para violino op. 35 de Korngold, com o violinista francês Renaud Capuçon, e a Sinfonia nº 5 e a Suíte O Ano de 1941 de Prokofiev. Nesta apresentação Marin Alsop inicia o registro da integral das sinfonias de Prokofiev com a Osesp, que será gravada e lançada pelo selo Naxos.
A transmissão contará ainda com uma introdução do diretor artístico da Osesp, Arthur Nestrovski, e com entrevistas e vídeos institucionais no intervalo.
O vídeo completo da transmissão ficará disponível no hotsite por trinta dias.
****
Eu aqui. Mais um projeto pioneiro no Brasil, mais uma vez a Osesp na vanguarda. Quatro câmeras não são o ideal mas poderemos com ela termos um bom começo. Os que gostam, acompanham e sabem como na TV Cultura caminhamos finalmente no último ano para uma captação mais razoável - algumas delas que realmente me fazem ter orgulho. Na Osesp a equipe de filmagem é nova, e até azeitarmos a "orquestra", teremos algum trabalhinho.
Mas a Força está com a gente!
No sábado dia 27 de agosto, às 16h30, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo fará pela primeira vez uma transmissão ao vivo pela internet de um concerto de sua temporada. Pelo endereço http://concertodigital.osesp.art.br/ será possível acompanhar a apresentação na Sala São Paulo com a futura regente titular da Osesp, Marin Alsop, que dirige a orquestra nos dias 25, 26 e 27.
A transmissão será dirigida pelo maestro e professor Leandro Oliveira, que foi assistente de John Neschling é hoje responsável pelas palestras Falando de Música, que antecedem os concertos da orquestra. Oliveira terá à sua disposição quatro câmeras de alta resolução dispostas estrategicamente na Sala.
No repertório, o Concerto para violino op. 35 de Korngold, com o violinista francês Renaud Capuçon, e a Sinfonia nº 5 e a Suíte O Ano de 1941 de Prokofiev. Nesta apresentação Marin Alsop inicia o registro da integral das sinfonias de Prokofiev com a Osesp, que será gravada e lançada pelo selo Naxos.
A transmissão contará ainda com uma introdução do diretor artístico da Osesp, Arthur Nestrovski, e com entrevistas e vídeos institucionais no intervalo.
O vídeo completo da transmissão ficará disponível no hotsite por trinta dias.
****
Eu aqui. Mais um projeto pioneiro no Brasil, mais uma vez a Osesp na vanguarda. Quatro câmeras não são o ideal mas poderemos com ela termos um bom começo. Os que gostam, acompanham e sabem como na TV Cultura caminhamos finalmente no último ano para uma captação mais razoável - algumas delas que realmente me fazem ter orgulho. Na Osesp a equipe de filmagem é nova, e até azeitarmos a "orquestra", teremos algum trabalhinho.
Mas a Força está com a gente!
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
What the Universe tells me
Ao final do encontro de sábado do Falando de Música um aluno me conta de "Árvore da Vida", um filme sobre a perda de um filho. Segunda-feira, Luiz Felipe Pondé faz um texto belíssimo na Folha de São Paulo, argumentando a partir do que seria a tese central do filme; no mesmo dia Martim publica seu ensaio elogioso a respeito no site da Dicta.
Fiquei ansioso e fui. Minha expectativa era enorme, como não poderia deixar de ser e, infelizmente, detestei o filme. Digo infelizmente pois respeito meus alunos, respeito o Pondé e acho que Martim tem um ótimo faro cinematográfico. Mas talvez o filme seja um pouco demais para mim.
Ficou evidente que Terrence Malick tem um excelente sensiblidade para as perguntas que se coloca - e que de alguma maneira nos afronta a todos: "por que sofremos? qual a lógica de nossa miséria e fortuna?" - ao argumentar a partir de uma aparente dicotomia explicita nas primeiras cenas, onde propõe que "devemos aprender a viver pela Natureza ou pela Graça".
Tudo isso foi discutido por nossa crítica. Curiosamente, o que não foi discutido é o filme. Pois sobre o filme duas coisas saltam aos olhos: sua pretensão e sua desumanidade.
O filme é pretensioso no pior sentido do termo: grandes dimensões (mais de duas horas), imagens assombrosas, excesso do que poderia chamar de "pedagogismo". Neste sentido, sua literalidade é realmente desconcertante, ao ponto de, à leitura das perplexidade do livro de Jó quanto da nossa ignorância a respeito da máquina do Universo ("Onde é que você estava quando criei o mundo?"), o diretor realiza um grande périplo para cenas que contam... a criação do mundo! Jó estava em lugar algum quando o mundo foi criado, mas Malick estava lá. Talvez a parte mais constrangedora do filme seja esta espécie de "La terre vue du ciel", cenas que Discovery Channel algum botaria defeito. (Juro que quando vi um dinossauro fiquei com vontade de ir embora). O resultado quanto mais cenicamente deslumbrante, mais incomoda - se visto no contexto da morte de um filho, é nada mais que tétrico.
E nisto o filme é desumano. Não há a menor forma de compartilhar a dor dos personagens ou, por outro lado, construir o dilema filosófico de maneira inequívoca. As imagens não prevêem contradições, e o problema é demasiadamente humano para ser visto de baixo (a situação onde o diretor nos coloca) ou de cima (de onde, aparentemente, o diretor está).
A crítica da Movieline vai na mosca: "Tree of Life" é sobre a vida, mas Malick não parece ligar muito para pessoas. Malick se preocupa com suas imagens, com sua textura e iluminação; é um mestre de sua ourivesaria cinematográfica. Mas um filme que fala da perda e tragédia precisa antes estar plena de compaixão, não de savoir faire.
(...)Desert rock formations, rushing streams, sunflowers waving gently in the sun, and all sorts of cradle-of-life folderol are the things that really rock his world — he cuts to them whenever he needs to try to explain the inexplicable, which is often. This is a movie about spiritual searching, about reckoning with the nature of God and his frustrating insistence on allowing suffering in the world. We know that because the movie’s characters tell us what they’re thinking, repeatedly, in voice-over: “How did she bear it? Mother.” “Lord — why?” Never trust an actor’s face to convey complicated feelings when you can just dub in words.
(...) There certainly is a lot of filmmaking going on here: Malick grabs our attention with diminutive jump cuts; he often shoots characters in three-quarters profile, so we’re left to wonder what their faces might be saying; he invents dream images (like a slightly airborne Chastain pirouetting among the trees) and inserts them in unexpected places. There’s also lots of majestic orchestral music, courtesy of Alexandre Desplat, Bach and, presumably, God.
(...) It puzzles me that people think of Malick as a strong visual filmmaker. His movies are often gorgeous-looking — that was true even of The New World, which probably tops even Tree of Life in the pretentious snoozefest department.
But strong visuals don’t necessarily equal strong visual storytelling. If Malick could tell a story mostly with pictures — and faces — why would he need so many voice-overs? There are some good performances here, to the extent that Malick allows us to focus on them: Pitt, in particular, captures the essence of preoccupied dadness. As he schools his boys in the art of respecting the line dividing their property from a neighbor’s, or takes them all out to eat at a local diner, he’s both distanced and affectionate in the way many of us may remember our own dads to have been. Chastain has less latitude: She’s cast in the role of beatific mom-symbol, and it constrains her.
I can already hear the chorus of dissenters: But you just don’t understand! Tree of Life a tone poem made by a genius! You need to see it again, or at least think about it a lot more! Admittedly, in this particular case, deadline constraints demanded some pretty rapid processing. But I don’t think I’d find much more beneath the surface of Tree of Life if I thought about it for 12 more hours or 12 more days. Malick is doing what lots of directors do as they get older and ponder larger issues. I’m sympathetic, at least, to his intent. But he’s trying to answer big questions by making the biggest movie possible. Where is God when you need him? The one place he forgets to look is in his characters’ eyes.
Forte mas está tudo aí. Disse que meu aluno, no sábado, foi o primeiro a chamar a atenção para o filme; falávamos de Kindertotenlieder de Gustav Mahler. O texto de Friedrich Rückert fala de uma criança, o filho do poeta, morto de rubéola em 1833; Mahler aproveita setenta anos mais tarde do impacto dramático do poema e realiza sua pequena obra prima. A música é prudente e pungente - dor, sobretudo dor, e ao fim uma aposta. Dois anos depois sua filha mais velha Maria Anna falece de rubéola, aos cinco anos de idade. E o que Mahler diz? "(Quando fiz a música) me coloquei na situação da perda de um filho. Mas quando realmente perdi milha filha eu não poderia mais ter escrito tais canções..."
Talvez a sensibilidade do projeto Malick seja realmente notável, mas a arte é feita da comunicação desta sensibilidade - e nisto a técnica é apenas subsidiária. E na comunicação, os símbolos, quando soltos, são apenas símbolos soltos. Em "A Árvore da Vida", o que vemos na maior parte do tempo é uma colagem de imagens espetaculares, de grande e indubitável impacto por si, mas realmente sem pretexto ou nexo narrativo dentro do grande e real drama que se coloca: a perda, a morte, a eventual transfiguração e consolo dos que ficam. Ao fim e ao cabo, o filme pareceu-me uma grande colcha de retalhos onde percebemos as sombras de uma história trágica, e não conseguimos saber se tal trama do Universo que nos apresenta o filme passa pela cabeça dos O'Briens - e portanto é a justificativa de seu sonho redentor ao final -, ou se as sombras são apenas os gafanhotos, espumas do mar e dinossauros da câmera de Malick - portanto, parte de um certo proselitismo, convencendo a NÓS da redenção final do filho crescido.
Para falar da vida no cinema é necessário mais do que senso plástico, é necessário contar histórias, mesmo quando cheia de horríveis contradições. Malick sabe coisas demais; talvez seja o maior de todos. Mas eu não o entendo.
Ps: Mahler faz uma belíssima reflexão sobre o Universo, a Natureza e a transfiguração da vida na sua Terceira Sinfonia. É uma obra filosófica e instigante, esmiuçada no premiadíssimo documentário "What the Universe Tells me". No filme, as mesmas imagens impressionantes, a mesma música transcendente que nos remeteria a "Árvore da Vida". Mas a linguagem enxuta elucida a belíssima narrativa mahleriana e suas bases na filosofia de Schopenhauer. O filme completo no link abaixo:
por Leandro Oliveira
Fiquei ansioso e fui. Minha expectativa era enorme, como não poderia deixar de ser e, infelizmente, detestei o filme. Digo infelizmente pois respeito meus alunos, respeito o Pondé e acho que Martim tem um ótimo faro cinematográfico. Mas talvez o filme seja um pouco demais para mim.
Ficou evidente que Terrence Malick tem um excelente sensiblidade para as perguntas que se coloca - e que de alguma maneira nos afronta a todos: "por que sofremos? qual a lógica de nossa miséria e fortuna?" - ao argumentar a partir de uma aparente dicotomia explicita nas primeiras cenas, onde propõe que "devemos aprender a viver pela Natureza ou pela Graça".
Tudo isso foi discutido por nossa crítica. Curiosamente, o que não foi discutido é o filme. Pois sobre o filme duas coisas saltam aos olhos: sua pretensão e sua desumanidade.
O filme é pretensioso no pior sentido do termo: grandes dimensões (mais de duas horas), imagens assombrosas, excesso do que poderia chamar de "pedagogismo". Neste sentido, sua literalidade é realmente desconcertante, ao ponto de, à leitura das perplexidade do livro de Jó quanto da nossa ignorância a respeito da máquina do Universo ("Onde é que você estava quando criei o mundo?"), o diretor realiza um grande périplo para cenas que contam... a criação do mundo! Jó estava em lugar algum quando o mundo foi criado, mas Malick estava lá. Talvez a parte mais constrangedora do filme seja esta espécie de "La terre vue du ciel", cenas que Discovery Channel algum botaria defeito. (Juro que quando vi um dinossauro fiquei com vontade de ir embora). O resultado quanto mais cenicamente deslumbrante, mais incomoda - se visto no contexto da morte de um filho, é nada mais que tétrico.
E nisto o filme é desumano. Não há a menor forma de compartilhar a dor dos personagens ou, por outro lado, construir o dilema filosófico de maneira inequívoca. As imagens não prevêem contradições, e o problema é demasiadamente humano para ser visto de baixo (a situação onde o diretor nos coloca) ou de cima (de onde, aparentemente, o diretor está).
A crítica da Movieline vai na mosca: "Tree of Life" é sobre a vida, mas Malick não parece ligar muito para pessoas. Malick se preocupa com suas imagens, com sua textura e iluminação; é um mestre de sua ourivesaria cinematográfica. Mas um filme que fala da perda e tragédia precisa antes estar plena de compaixão, não de savoir faire.
(...)Desert rock formations, rushing streams, sunflowers waving gently in the sun, and all sorts of cradle-of-life folderol are the things that really rock his world — he cuts to them whenever he needs to try to explain the inexplicable, which is often. This is a movie about spiritual searching, about reckoning with the nature of God and his frustrating insistence on allowing suffering in the world. We know that because the movie’s characters tell us what they’re thinking, repeatedly, in voice-over: “How did she bear it? Mother.” “Lord — why?” Never trust an actor’s face to convey complicated feelings when you can just dub in words.
(...) There certainly is a lot of filmmaking going on here: Malick grabs our attention with diminutive jump cuts; he often shoots characters in three-quarters profile, so we’re left to wonder what their faces might be saying; he invents dream images (like a slightly airborne Chastain pirouetting among the trees) and inserts them in unexpected places. There’s also lots of majestic orchestral music, courtesy of Alexandre Desplat, Bach and, presumably, God.
(...) It puzzles me that people think of Malick as a strong visual filmmaker. His movies are often gorgeous-looking — that was true even of The New World, which probably tops even Tree of Life in the pretentious snoozefest department.
But strong visuals don’t necessarily equal strong visual storytelling. If Malick could tell a story mostly with pictures — and faces — why would he need so many voice-overs? There are some good performances here, to the extent that Malick allows us to focus on them: Pitt, in particular, captures the essence of preoccupied dadness. As he schools his boys in the art of respecting the line dividing their property from a neighbor’s, or takes them all out to eat at a local diner, he’s both distanced and affectionate in the way many of us may remember our own dads to have been. Chastain has less latitude: She’s cast in the role of beatific mom-symbol, and it constrains her.
I can already hear the chorus of dissenters: But you just don’t understand! Tree of Life a tone poem made by a genius! You need to see it again, or at least think about it a lot more! Admittedly, in this particular case, deadline constraints demanded some pretty rapid processing. But I don’t think I’d find much more beneath the surface of Tree of Life if I thought about it for 12 more hours or 12 more days. Malick is doing what lots of directors do as they get older and ponder larger issues. I’m sympathetic, at least, to his intent. But he’s trying to answer big questions by making the biggest movie possible. Where is God when you need him? The one place he forgets to look is in his characters’ eyes.
Forte mas está tudo aí. Disse que meu aluno, no sábado, foi o primeiro a chamar a atenção para o filme; falávamos de Kindertotenlieder de Gustav Mahler. O texto de Friedrich Rückert fala de uma criança, o filho do poeta, morto de rubéola em 1833; Mahler aproveita setenta anos mais tarde do impacto dramático do poema e realiza sua pequena obra prima. A música é prudente e pungente - dor, sobretudo dor, e ao fim uma aposta. Dois anos depois sua filha mais velha Maria Anna falece de rubéola, aos cinco anos de idade. E o que Mahler diz? "(Quando fiz a música) me coloquei na situação da perda de um filho. Mas quando realmente perdi milha filha eu não poderia mais ter escrito tais canções..."
Talvez a sensibilidade do projeto Malick seja realmente notável, mas a arte é feita da comunicação desta sensibilidade - e nisto a técnica é apenas subsidiária. E na comunicação, os símbolos, quando soltos, são apenas símbolos soltos. Em "A Árvore da Vida", o que vemos na maior parte do tempo é uma colagem de imagens espetaculares, de grande e indubitável impacto por si, mas realmente sem pretexto ou nexo narrativo dentro do grande e real drama que se coloca: a perda, a morte, a eventual transfiguração e consolo dos que ficam. Ao fim e ao cabo, o filme pareceu-me uma grande colcha de retalhos onde percebemos as sombras de uma história trágica, e não conseguimos saber se tal trama do Universo que nos apresenta o filme passa pela cabeça dos O'Briens - e portanto é a justificativa de seu sonho redentor ao final -, ou se as sombras são apenas os gafanhotos, espumas do mar e dinossauros da câmera de Malick - portanto, parte de um certo proselitismo, convencendo a NÓS da redenção final do filho crescido.
Para falar da vida no cinema é necessário mais do que senso plástico, é necessário contar histórias, mesmo quando cheia de horríveis contradições. Malick sabe coisas demais; talvez seja o maior de todos. Mas eu não o entendo.
Ps: Mahler faz uma belíssima reflexão sobre o Universo, a Natureza e a transfiguração da vida na sua Terceira Sinfonia. É uma obra filosófica e instigante, esmiuçada no premiadíssimo documentário "What the Universe Tells me". No filme, as mesmas imagens impressionantes, a mesma música transcendente que nos remeteria a "Árvore da Vida". Mas a linguagem enxuta elucida a belíssima narrativa mahleriana e suas bases na filosofia de Schopenhauer. O filme completo no link abaixo:
por Leandro Oliveira
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Berlim e seu ano-novo
Os antigos leitores do blog acompanharam minhas andanças por Berlim, no fim de ano entre 2009/2010. Agora retorno com uma turma boa e concertos entre os dias 27 de dezembro e 2 de janeiro.
Farei conferências diárias para eventos como o da Filarmônica de Berlim, com Simon Rattle e Evgueni Kissin, a extraordinária nova montagem de "O Morcego" da Komische Oper, a nona de Beethoven no Staatsoper com Daniel Barenboim, o gala com minha musa Anna Netrebko (em Dresden) e - last but not least - Lylian Zilberstein com a orquestra do Konzerthaus.
É uma iniciativa da Sociedade Chopin no Brasil e aberta a interessados de todo país. Vagas limitadas, bien sûr.
Além da reserva dos tickets de concertos e minhas conferências, estão garantidos o hotel (o Adlon Kempinski, ali pertinho do portão de Brandemburgo), e transfers do aeroporto além da ida/volta para Dresden.
Mais informações, como valores e tal, no (11) 3021-0752.
Nos divertiremos como nababos. Espalhem!
Farei conferências diárias para eventos como o da Filarmônica de Berlim, com Simon Rattle e Evgueni Kissin, a extraordinária nova montagem de "O Morcego" da Komische Oper, a nona de Beethoven no Staatsoper com Daniel Barenboim, o gala com minha musa Anna Netrebko (em Dresden) e - last but not least - Lylian Zilberstein com a orquestra do Konzerthaus.
É uma iniciativa da Sociedade Chopin no Brasil e aberta a interessados de todo país. Vagas limitadas, bien sûr.
Além da reserva dos tickets de concertos e minhas conferências, estão garantidos o hotel (o Adlon Kempinski, ali pertinho do portão de Brandemburgo), e transfers do aeroporto além da ida/volta para Dresden.
Mais informações, como valores e tal, no (11) 3021-0752.
Nos divertiremos como nababos. Espalhem!
Observatório Ocidentalismo
Curto quando o Reinaldo Azevedo faz pequenas viagenzinhas. A de hoje é especial para mim pois acabei de recomendar o livro a amigos e alunos. Me diverti com a coincidência.
***
Por Reinaldo Azevedo:
Se o leitor ainda não o fez, deve fazê-lo: ler “O Visconde Partido ao Meio”, do escritor italiano Italo Calvino. Não chegará a ser o seu livro de cabeceira, mas se ganha bastante em poucos mais de 100 páginas. Coisa para duas ou três horas de um daqueles domingos que, muitas vezes, se desenrolam sem motivo aparente… Vocês conhecerão o Visconde Medardo di Terralba, que foi combater os turcos. Um tiro de canhão o rachou ao meio, na vertical. Uma parte, a direita, volta para a casa. Era a metade perversa, má no limite do tédio… dos outros! Depois de algum tempo, suas vítimas já haviam se acostumado com suas perversidades. Até que chegou o lado esquerdo, que havia sido cuidado por monges. Era de uma bondade… insuportável!!! Chamavam-no “o vagabundo”. As duas partes acabarão duelando pelo amor de Pamela. O resto, vocês conferem no livro.
Muitos quiseram decifrar o sentido metafísico do Visconde de Calvino. Até se tentou uma leitura política, com a “direita má” e a “esquerda boazinha”, ambas impróprias para o convívio humano. “Reunidas” as metades do marquês, nem por isso se formou uma inteireza. Somos, os homens, assim mesmo: não cindidos em duas partes, mas em muitas. “Nada do que é humano me é estranho”, escreveu Terêncio. Porque não é, somos levados a fazer escolhas, que acabam determinando com quais pessoas decidimos viver e que moralidade nos serve. Aos escolher os outros, escolhemos o nosso próprio caminho. Potencialmente, podemos ser o monstro moral da metade má ou o abestalhado da metade boa; podemos atormentar os outros tanto com o nosso egoísmo com nossa generosidade. Nada pode crescer à volta de um e de outro; um mata com o seu fel; o outro, com o seu mel. Mas que não se conclua apressadamente que a virtude está no meio, no doce-amaro, na indefinição. A “verdade”, qualquer que seja ela, está no conjunto. A razão tem de domesticar, a cada dia, a besta cínica e a besta crédula que há em nós.
Por que me lembrei de Calvino? Será Dilma Rousseff “a presidente partida ao meio”? (...)
Na íntegra aqui.
por Leandro Oliveira
Nova música - the american way
Steve Reich, falando sobre influências. O maestro fez 75 anos no último dia 10 de agosto:
I would say that later on, very important influences came by discovering African music on recording and having no idea how it was put together, but kind of wanting to find out. As a graduate student with Luciano Berio, we went down to the Ojai Festival - the festival that Stravinsky started north of Los Angeles. I guess that was 1962, maybe ’63. The people who were holding forth included Gunther Schuller, who was just finishing up his book on the history of early jazz. And when Schuller was speaking to us -he was a graduate student - he said he’d discovered a book that contained the first accurate scores of West African music and transcription. And I said, “Excuse me, Mr. Schuller. What’s the book?” He said, “’Studies in African Music’ by A.M. Jones.”
And I went back up to Northern California, where I was living at the time, and got the two-volume set: one volume of just scores, another volume of analysis of those scores, and some interesting sociology as well. And it’s still on my bookshelf, I mean, I returned the book to the library and bought a copy, which was very expensive. And - at about the same time that was going on - I was listening to John Coltrane when he was playing “My Favorite Things” and on what became “modal jazz,” but what you could describe, very simply, as “playing a lot of notes to very few harmonies.” An [album] like “Africa/Brass,” [with two sessions], which really impressed me, was basically a half-an-hour in F. Jazz musicians say, “Hey man, what’s the changes?” “F.” “No! F for half-an-hour!”
That was very instructive. And, at the same time, I was studying with Luciano Berio and writing 12-tone music. The way I wrote 12-tone music was like, “Don’t transpose the row. Don’t retrograde the row. Don’t invert the row. Just repeat the row over and over, and you can try to sneak in some harmony.” And Berio said, “If you want to write tonal music, why don’t you write tonal music?” And I said, “That’s what I’m trying to do.” So I would say, “If you put all that into a jug and shake it, out I come.”
It was a very, very difficult period because, basically, the people that I was going to graduate school with were either very interested in European Serial Music or in John Cage--or in both. And, honestly, I was involved in neither. I could respect the purity of spirit in John Cage’s work, and I could certainly appreciate the mastery in Berio and Stockhausen, but my heart wasn’t in the game. I became a composer because I loved Bach, because I loved Stravinsky, because I loved jazz. And this was answering none of those. There was no fixed pulse, there was nothing you could tap your foot to, there was nothing you could whistle to, there was no key to hang on to; it was the very antithesis of that. So people who didn’t write that way at that time were simply a joke; you just weren’t taken seriously.(...)
Entrevista maravilhosa, na íntegra aqui.
por Leandro Oliveira
I would say that later on, very important influences came by discovering African music on recording and having no idea how it was put together, but kind of wanting to find out. As a graduate student with Luciano Berio, we went down to the Ojai Festival - the festival that Stravinsky started north of Los Angeles. I guess that was 1962, maybe ’63. The people who were holding forth included Gunther Schuller, who was just finishing up his book on the history of early jazz. And when Schuller was speaking to us -he was a graduate student - he said he’d discovered a book that contained the first accurate scores of West African music and transcription. And I said, “Excuse me, Mr. Schuller. What’s the book?” He said, “’Studies in African Music’ by A.M. Jones.”
And I went back up to Northern California, where I was living at the time, and got the two-volume set: one volume of just scores, another volume of analysis of those scores, and some interesting sociology as well. And it’s still on my bookshelf, I mean, I returned the book to the library and bought a copy, which was very expensive. And - at about the same time that was going on - I was listening to John Coltrane when he was playing “My Favorite Things” and on what became “modal jazz,” but what you could describe, very simply, as “playing a lot of notes to very few harmonies.” An [album] like “Africa/Brass,” [with two sessions], which really impressed me, was basically a half-an-hour in F. Jazz musicians say, “Hey man, what’s the changes?” “F.” “No! F for half-an-hour!”
That was very instructive. And, at the same time, I was studying with Luciano Berio and writing 12-tone music. The way I wrote 12-tone music was like, “Don’t transpose the row. Don’t retrograde the row. Don’t invert the row. Just repeat the row over and over, and you can try to sneak in some harmony.” And Berio said, “If you want to write tonal music, why don’t you write tonal music?” And I said, “That’s what I’m trying to do.” So I would say, “If you put all that into a jug and shake it, out I come.”
It was a very, very difficult period because, basically, the people that I was going to graduate school with were either very interested in European Serial Music or in John Cage--or in both. And, honestly, I was involved in neither. I could respect the purity of spirit in John Cage’s work, and I could certainly appreciate the mastery in Berio and Stockhausen, but my heart wasn’t in the game. I became a composer because I loved Bach, because I loved Stravinsky, because I loved jazz. And this was answering none of those. There was no fixed pulse, there was nothing you could tap your foot to, there was nothing you could whistle to, there was no key to hang on to; it was the very antithesis of that. So people who didn’t write that way at that time were simply a joke; you just weren’t taken seriously.(...)
Entrevista maravilhosa, na íntegra aqui.
por Leandro Oliveira
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