segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Ovídio em Ruanda
Por Pedro Sette-Câmara
Enquanto aqui na Zona Sul carioca podemos nos ater a uma espécie de catolicismo burguês e satisfeito consigo, outras pessoas passam por situações extremas e fica a pergunta: o que dizer a elas? Não acredito por um segundo que o mal questione a possibilidade do cristianismo, mas me pergunto, sim, que exemplo ou que palavra eu poderia oferecer às mulheres estupradas de Ruanda.
Clique no link, e veja que, apesar da história de horror que envolve um sacerdote, a filha que nasceu dos estupros em série, praticados por vários homens, usa uma cruz. O que também é um grande exemplo para as pessoas que se julgam puras demais para pertencer a uma igreja.
Ovídio no Terceiro Reich
Geoffrey Hill
Tradução de Pedro Sette-Câmara; ver outra tradução
non peccat, quaecumque poteste peccasse negare,
solaque famosam culpa professa facit.
(AMORES, III, xiv)
Gosto do meu trabalho e de meus filhos. Deus
é distante, difícil. Dão-se coisas.
Perto assim das antigas tinas de sangue
a inocência não é arma terrena.
Uma coisa aprendi: a não desprezar tanto
os condenados. Eles, em seu plano próprio,
têm estranha harmonia com o amor
de Deus. Já eu, no meu, festejo seu coral.
***
Ovid in the Third Reich
Geoffrey Hill
non peccat, quaecumque poteste peccasse negare,
solaque famosam culpa professa facit.
(AMORES, III, xiv)
I love my work and my children. God
Is distant, difficult. Things happen.
Too near the ancient troughs of blood
Innocence is no earthly weapon.
I have learned one thing: not to look down
So much upon the damned. They, in their sphere,
Harmonize strangely with the divine
Love. I, in mine, celebrate the love-choir.
Retirado de pedrosette.com
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